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O primeiro contato com o paraíso selvagem é quase assustador. A grandiosidade de espécies animais, a largura dos rios, a multiplicidade de cores e todas as formas de comunicação da fauna pantaneira com os homens, desde o canto das aves até o barulho do mergulho do jacaré, nos fazem ter a certeza de que estamos diante de um milagre da natureza! O Pantanal Mato-Grossense, debruçado pelo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, parece uma imensa tela expressionista em três dimensões. As cores que pintam esta fauna e flora beiram a ficção. Os cantos e prantos destes animais colocam grandes sinfonias de compositores imortais em notável desvantagem. Aqui, o ciclo da vida é comandado pelas temporadas das cheias no verão e da vazante (seca) no inverno. Por isso, a melhor época para chegar é entre maio e setembro, quando as águas estão mais baixas. Considerado uma das maiores planícies alagadas do mundo, o Pantanal é drenado pelo seu rio principal, o rio Paraguai. A porta de entrada para este paraíso é a cidade de Corumbá, com ótima estrutura hoteleira. Ao entrar no Pantanal, você percebe que a natureza se exibe com vários tipos de vegetação. Os campos, matas, cerrados, savanas, cordilheiras e pastagens naturais abrigam mais de seiscentas espécies de aves, desde o famoso tuiuiú, o símbolo da região, a araras azuis ameaçadas de extinção, garças, tucanos e uma infinidade de cores e penas que se transformam em um espetáculo indescritível no início da manhã ou no fim da tarde, quando elas se locomovem. Além da abundância de aves, o Pantanal é bastante conhecido pelo espetáculo protagonizado por outros animais. Outra figura fácil da região é a temida onça pintada, nas trilhas que desembocam nos rios, os macacos-prego, tamanduás bandeira, piranhas, jacarés, veados e a sucuri. Para registrar este magnífico movimento da natureza, os ecoturistas não abandonam as câmeras fotográficas e filmadoras por nada. Se você pretende levar recordações dessa terra, venha preparado para muito trabalho, comece a fotografar muito cedo, fique bem atento e se possível traga uma lente teleobjetiva para não perder nenhum detalhe. Essas são muitas das opções encontradas no Pantanal Sul. Já no Pantanal norte, onde os rios são mais abundantes e acabam se transformando no cenário do Festival Internacional da Pesca no mês de setembro. A bicentenária cidade de Cáceres, chega a receber 200 mil pessoas para o maior evento de pesca esportiva do país, que há cerca 20 anos motivou milhões de pescadores de vários cantos do mundo a virem conhecer essas terras. Este festival é o evento anual mais esperado pelos moradores desta região, que é a nascente do Pantanal. Durante todo o resto do ano, o cenário é de paz. As revoadas das aves no fim da tarde, pouco depois da chegada das comitivas puxadas pelo som dos berrantes, é um espetáculo único. Este é um dos raros pedaços do planeta que permanece quase intocado pelo homem. Talvez um dos motivos de toda sua estrondosa e peculiar beleza natural seja devido à sua particularidade geográfica. Localizado na bacia do Rio Paraguai, ao norte está cercado pelas Serras dos Parecis, Azul e do Roncador, a leste pela Serra de Maracajú, ao sul pela Serra da Bodoquena e a oeste pelos charcos paraguaio e boliviano. Sua localização faz com que grande parte do território pantanense se transforme em descampados ou grandes lagoas durante boa parte do ano. A grande diversidade da fauna é um dos seus grandes atrativos seja ela aquática (jacarés, peixes...), terrestre (capivaras, antas, cervos-do-pantanal) ou aérea (garça, arara-azul, tuiuiú). As águas transparentes e a multiplicidade de cores e animais que habitam esta tela mutante fazem parte do exotismo monumental do Pantanal Mato-Grossense. Sem dúvida um dos lugares mais belos do Brasil.
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